Ontem a noite teve a exibição do documentário Santiago de João Moreira Salles, promovido pela Associação de Cinema de Chapecó, em parceria com o Sesc. Cinéfilos de plantão conferiram no Centro de Cultura e Eventos de Chapecó (Que não possui uma sala própria para cinema) o filme que demorou 13 anos para ser lançado, digo, oficialmente o filme ainda não foi lançado, há apenas algumas exibições acontecendo pelo país, em festivais.
O documentário fala sobre Santiago, um argentino que foi o mordomo da família Moreira Salles até a morte dos pais de João. Santiago é um homem sensível. Gosta de Bethoven, de dançar, tocar castolholas e piano, fica maravilhado com as festas na casa da gávea, um palácio para ele, conhece várias línguas e é apaixonado por história, tanto que escreve milhares de páginas contando a vida de reis, imperadores, famílias e até do cinema.
O filme possui diversas facetas, como a genialidade e as lições da vida de um homem simples, mas também enudece o próprio diretor e a arte de fazer documentários, que, provado pelo filme, nem sempre é a restrita realidade. João pede pra Santiago que repita várias vezes uma mesma fala ou a diga de outra maneira. Na ilha de edição João Moreira Salles encontra si mesmo e vê um homem, até, cruel com o seu personagem. Santiago (o filme e o mordomo) discute o que é fazer cinema, a transparência do documentário, o papel do diretor, as relações humanas e a consciência de si mesmo.
Santiago é um filme que emociona, e cinema é emoção, emociona pela história que está contida em alguns minutos do filme e no que está por trás de tudo aquilo. Essa emoção também é produzida pela técnica, explicada pelo diretor no próprio filme. João também explica que enquadrou Santiago sempre em planos médios e só depois percebeu que este afastamento, a falta de closes, também o afastou da pessoa Santiago. A meta de fazer o documentário, cumprir o roteiro inicial não o fez ver o que estava ali, não o fez ver que poderia saber, realmente, quem era o mordomo.
A base para o cinema é a imagem e Moreira Salles usa a falta de imagens, em diversos momentos a tela fica preta e só alguma música ou voz aparece, mesmo assim toda a platéia fica atenta, sem desviar o olhar. Santiago é um desses filmes e uma dessas pessoas que prende nossa atenção, porque fala de nós mesmos e também nos deixa nu.
Saindo do Centro de Eventos, e depois no Bar, ouvi diversos comentários sobre o filme entre eles um que dizia: ” Santiago é um daqueles homens que vencem a morte”.
Mas…
Eu sei que poderia escrever muito mais, mas não me sinto à altura de Santiago. Então para saber um pouco mais sobre o filme dê uma olhada na crítica que Thiago Camelo faz no site OverMundo, é bem interessante. Já li outros textos sobre cinema do Thiago neste site e vale a pena conferir.
Se ficou com mais curiosidade veja um trechinho (inho,inho) do filme no youtube.
Mas se ficou muito a fim, o jeito é procurar o filme por aí e assistir. Eu recomendo.


